Você sabe por quais etapas e pelas mãos de quais profissionais um livro passa até chegar à livraria? Talvez você já tenha ouvido falar de editores, preparadores, diagramadores, revisores, capistas e diversos outros profissionais que trabalham duro para fazer com que aquele objeto simples, mas de desejo de muitos, fique pronto para ser lido, relido, cheirado, rabiscado, emprestado, esquecido e lido novamente.

Com este post não pretendo fazer uma análise profunda do que é o objeto livro. Este texto é até simples demais, mas busca preencher uma lacuna que nós aqui do blog percebemos já faz algum tempo: fala-se muito de livros, leitores, feiras literárias e lançamentos, mas pouca gente sabe como de fato um livro é feito e por quem ele é feito. Mais que isso: por que é importante conhecer o processo de produção do livro?

A resposta é que isso depende de cada pessoa: o leitor pode se interessar pelo assim chamado processo editorial apenas por curiosidade; um autor pode querer conhecer o processo para saber quem vai mexer em seu texto (e de que forma vai mexer, quanto isso pode custar, quanto tempo pode levar) e, assim, evitar surpresas; um revisor pode (e talvez deva) aprender sobre o processo para poder oferecer um melhor serviço a algum autor que o procure ou para que possa enfim trabalhar naquela ótima editora com mais familiaridade, conhecendo bem o processo.

A questão é que quanto mais todos os envolvidos (autores e tradutores, editores, preparadores, revisores, diagramadores e até leitores) souberem sobre como um livro é feito, os processos podem se tornar melhores e mais qualidade final tem o livro.

Se você é autor, fique ligado neste post, pois ele pode ensinar muito e preparar você para saber o que é de fato publicar um livro; ou, sendo mais específico, pelo que seu livro vai passar até chegar o momento de ser impresso.

Vou descrever aqui o processo editorial em etapas; entretanto, pode ser que em muitos casos algumas dessas etapas estejam sobrepostas, ou seja, ocorram ao mesmo tempo. Procurei descrever de forma genérica como seria o processo mais ideal de produção do livro; mas tenha em mente que no mercado editorial há de tudo, até mesmo quem desrespeite totalmente essas etapas e faça os passos quase que ao contrário. Além disso, há projetos específicos que podem precisar de um processo diferente ou que podem inverter as etapas por necessidades diversas. Por fim, descrevi apenas as etapas de edição, digamos assim, ou seja, as etapas em que os profissionais lidam diretamente com o texto.

Autor ou tradutor

1ª etapa: produção do autor (original do autor) ou do tradutor (arquivo traduzido mais original, que pode ser o livro físico ou um PDF). O original/tradução pode ser um manuscrito, um material datilografado ou (como é mais comum hoje em dia) um arquivo do Word. No caso de tradução, o livro original (em inglês, por exemplo, que também pode ser chamado de original em língua estrangeira) geralmente acompanha todas as etapas abaixo; ou seja, ele é literalmente enviado junto com todos os outros materiais e passará pelas mãos dos profissionais nas próximas etapas. Por diversos motivos esse envio é necessário: o diagramador pode ter de se basear na arte ou em aspectos da diagramação do original e o preparador e o revisor geralmente precisam do original para tirar dúvidas e conferir diversos elementos e fazer comparações (o chamado cotejo com o original). Para livros traduzidos, caso o tradutor tenha usado alguma CAT Tool em seu trabalho, o ideal seria que o glossário (também em formato eletrônico) fosse enviado especialmente ao preparador e ao revisor, mas isso raramente é feito.

Editor

2ª etapa: edição – o editor pode trabalhar com o arquivo de Word ou com um arquivo impresso a partir do arquivo de Word (a primeira opção é mais comum). O editor vai analisar a obra, contatar o autor (ou o tradutor, se for o caso) e fazer recomendações gerais. Trata-se da etapa em que o contato com o autor/tradutor é mais próximo e um momento em que a obra pode sofrer mudanças profundas (até mesmo mudança do título, por exemplo). É provável que o arquivo vá e volte diversas vezes entre o autor/tradutor e o editor para adaptações e correções diversas. Depois de tudo mais ajeitado, o arquivo é enviado para a preparação.

Preparador de originais

3ª etapa: preparação – o preparador recebe então o arquivo (digital) do editor ou do gerente de projetos (ver abaixo); pode ser que o editor faça algumas recomendações gerais ou até mesmo crie um relatório que especifica quais são os elementos que devem receber mais atenção do preparador. Como o trabalho de preparação envolve muita pesquisa, na maior parte dos casos o preparador receberá a prova em Word; ou seja, ele precisa trabalhar num arquivo editável, pois provavelmente terá de fazer uma grande quantidade de alterações e ajustes, como excluir/mover parágrafos inteiros, fazer cortes, reajustar e renumerar figuras e imagens, etc. Mais especificamente, ele também fará alterações e adaptações diversas: aplicar normas específicas da editora, normatizar a obra de acordo com algum style guide ou manual, numerar (para a diagramação) elementos como títulos, figuras e tabelas (geralmente indicando onde elas entram com tags, ou seja, com códigos, por exemplo: <TÍTULO 1>, <FIGURA 3>, <box>, etc.), ele também deve desfazer incoerências e conferir dados diversos (datas, grafias de nomes próprios ou dar consistência à grafia dos nomes de personagens, verificar a factualidade de eventos históricos e notícias, etc.). Por fim, ele pode também criar um relatório para o editor da obra. Tendo feito tudo isso, é hora de passar para a próxima etapa.

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