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Entrevista para uma diagnose Homeopática segundo o

Organon da Arte de Curar de Samuel Hahnemann

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Entrevista Homeopática para Diagnose

§84 O doente se queixa do desenvolvimento de seus males; as pessoas que o rodeiam relatam suas queixas, seu comportamento e o que perceberam nele; o homeopata vê, ouve e observa com os demais sentidos o que existe nele de alterado ou fora do comum.
É importante escrever exatamente tudo o que o cliente e seus amigos lhe disseram, com as mesmas expressões por eles utilizadas.
Se possível, permanece em silêncio deixando-se falar sem interrompê-lo, para evitar perturbar o pensamento do narrador, interferindo no seu relato, a menos que se desviem para outros assuntos*. Logo no início do exame, o homeopata lhes pede apenas que falem devagar, a fim de que ele possa acompanhar o relato, anotando o necessário.

*Cada interrupção perturba o encadeamento do pensamento do narrador, posteriormente dificultando a ele dizer mais à frente, de novo, tudo como pretendia dizer a princípio.

Ouvir, observar, anotar, interpretar e estimular a pessoa a falar são as chaves para obter o resultado esperado.
Temos que ter disposição para anotar, boa vontade em ouvir, pois a indicação do remédio e o resultado do tratamento será sempre baseado nos dados que tomamos. Bem como, nos retornos estes sintomas serão de extrema importância na avaliação dos resultados, e, certamente, outros sintomas aparecerão e os inicialmente relatados, terão sido atenuados ou curados.
É de grande importância termos tudo anotado, pois a pessoa reclama de determinados sintomas na primeira entrevista (por exemplo: esquecimento) e depois esquece. Quando retorna nos relata que está muito esquecida (– Estou muito esquecido, nunca estive assim). Ao olharmos as nossas anotações deparamos com o esquecimento ou memória fraca e ao pedirmos detalhes, veremos que está bem melhor do que era antes, mas só agora a pessoa percebeu que o esquecimento e a memória fraca a prejudicava.
Este é só um exemplo, pois existem outros fatos inusitados. Portanto, é de suma importância anotar e minudenciar a entrevista com o máximo de informação e, além do mais, Hahnemann fazia e aconselha a fazer a entrevista, também, a pessoas que convivem com o cliente entrevistado.
Após o segundo encontro, a opinião dos que convivem com a pessoa é o mais interessante, pois a pessoa que está sendo tratada diz:
– Melhorei muito pouco, quase nada!
E os seus amigos e parentes dizem ter acontecido um milagre na vida dele.
Quanto a deixar falar de forma ininterrupta precisamos estar atentos no horário, pois se o entrevistado for uma personalidade tipo Lachesis, ou Tarenthula, ou Teridium, irá falar muito, mas o que fala tem pouco valor ou é sem muito sentido para uma boa indicação, bem como os sicóticos irão tentar esconder muitas coisas.

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§85 A cada informação do doente ou dos acompanhantes ele passa para a outra linha a fim de que os sintomas sejam todos colocados separadamente, um abaixo do outro. Desse modo, ele pode acrescentar a cada um deles aquilo que lhe fora relatado de maneira vaga no princípio, mas que depois se torna mais claro no decorrer da entrevista ou no retorno.

Como anotar?
É importante que o terapeuta seja organizado, e anote cada sintoma em uma linha e, de preferência, pule uma linha, deixando espaço1 para eventuais complementos da informação se for necessário. Bem como podemos usar asteriscos ou outro sinal para anotarmos outros complementos da informação nesta ou na próxima entrevista.
Quanto mais informação melhor, pois a boa indicação depende dos dados colhidos na entrevista.
Mas ao anotarmos o relato da pessoa, ficam muitos sintomas que pouco nos servem para a indicação inicial, portanto, precisamos separá-los, mentalmente, em duas classes:
1- Os que nos interessam;
2- E os que são muito genéricos para uma boa indicação.
Portanto, procuremos observar quais são realmente importantes e necessários à boa indicação.
Embora devamos anotar tudo, devemos também separar2 o que vai ser necessário à primeira indicação e o que vai servir como referência para identificação das melhoras nas próximas entrevistas. Portanto, todos os dados são úteis no decorrer do tratamento.

1 Hoje, temos a facilidade digital. Ela nos permite inserir dados de forma mais fácil a cada entrevista ou reescrevê-los.
2 A digitalização das informações nos ajudam muito, pois nos possibilitam grifar, colorir, mudar de posição, etc.

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§86 Depois que os narradores tiverem terminado de falar o que pretendiam, o homeopata acrescenta a cada sintoma informações separadas e mais precisas, averiguadas da seguinte maneira: ele lê, um por um, todos os sintomas relatados e faz perguntas específicas sobre cada um deles; p.ex.:
Quando ocorreu tal fato?
Foi antes de usar o atual remédio?
Durante o período de uso?
Ou somente alguns dias após deixar de usá-lo?
Que tipo de dor, que sensação precisamente se apresentou nesta região?
A dor era intermitente, isolada?
Ou era contínua, ininterrupta?
Por quanto tempo?
A que horas do dia ou da noite e em que posição do corpo se agrava ou cessava?
Em que consistia, exatamente, este ou aquele acontecimento ou circunstância descritos?
Tudo deve ser descrito com palavras claras para podermos reavaliar no retorno.

É importante deixarmos as perguntas para o final da entrevista, para facilitar e sem interromper o encadeamento do raciocínio do cliente.
A partir do que foi relatado, poderemos perguntar sobre os pontos obscuros do relato para o nosso melhor entendimento, bem como complementar as características particulares dos sintomas, isto é, modalizar.
Se a pessoa tiver muitas características de Lachesis, temos que interferir em seus relatos para impedi-la de entrar em “devaneios”. Pois a verborreia é típica da personalidade que precisa desse Remédio.
Temos por outro lado, os que ficam calados, ficam olhando-nos, então precisamos perguntar, primeiramente de forma indireta, depois de forma mais direta, para podermos achar o meio termo.
Precisamos nos lembrar que existem os mentirosos. Mentem sobre tudo que falam e que sentem.
Qual o objetivo de mentir?
Talvez o hábito.
Neste ponto, é bom o homeopata conhecer, por exemplo, um pouco de Leitura Corporal, pois se a pessoa diz ter uma doença ela tem um adoecimento subjetivo que é a causa desta, sendo que a pessoa, às vezes, deixa de perceber as nuanças da doença, que, na realidade, é o que precisa ser tratado para a melhora geral da pessoa.
Então, neste caso, a pessoa disse da doença, mas deixou subentendido o adoecimento, por exemplo:
Se a pessoa diz ter infecções de garganta constante, ela é ansiosa e tensa, se disser que é calma, está mentindo ou tem um adoecimento mais grave em vias de acontecer. Mas de qualquer forma é o miasma luético que está ativo.

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§87 E assim, o homeopata toma conhecimento dos pormenores mais precisos acerca de cada uma das informações sem, contudo, sugerir a resposta através da formulação da pergunta* ou, então, fazer com que o doente tenha que responder simplesmente confirmando ou negando, induzindo-o a afirmar ou negar algo realmente existente ou incerto ou inverídico, seja por comodismo, seja para agradar o entrevistador, resultando, obrigatoriamente, um falso quadro do adoecimento e, por conseguinte, um tratamento inadequado.

* Por ex.: Se o homeopata perguntar:
Porventura esta ou aquela circunstância também ocorreram?.
Certamente, este tipo de pergunta sugestiva pode permitir a ocorrência de erro por fornecer uma resposta induzida ou uma informação falsa.

Saber perguntar é fundamental. Mas existem pessoas que permanecem caladas e precisamos saber perguntar para conseguirmos uma resposta que, muitas vezes, estará incompleta e inconvincente, então precisamos entrar em seu mundo com uma pequena história.
E existem aqueles que falam sem chegar a lugar nenhum, pois são relatos e reclamações estéreis de significado para o homeopata, às vezes, mentiras, que a pessoa diz com muita convicção, etc.
Os obstáculos ao tratamento ideal são muitos, mas o Terapeuta deve ter sabedoria ao escolher o remédio mesmo quando a pessoa prestou poucas e inconsistentes informações, pois existem outras formas de se chegar a uma boa indicação, seja pela observação, pela intuição ou com o auxílio de outra TEN.
Como me disse um amigo espiritual: “O homeopata nunca erra. Apenas o cliente e o homeopata precisam passar por alguma experiência, que pode ser desagradável, para aprenderem e crescerem juntos, pois o homeopata ficará mais cauteloso e o cliente mais sincero e criterioso ao passar a informação sobre seu adoecimento e o acontecimento dos fatos.”
O limite será sempre o bom senso e a moral cristã deve prevalecer: na entrevista e nas relações diárias.
No entanto podemos considerar que a maioria dos equívocos no tratamento homeopático é consertável, pois os possíveis erros irão evidenciar o remédio que precisa ser indicado no próximo encontro, portanto eles são de pouca gravidade, mas por outro lado eles devem e podem ser evitados, pois o homeopata deve estar sempre atento a detalhes que identificam o remédio ou a linha de remédio a ser indicado, mas se um sintoma chave for omitido pelo cliente, a indicação será imperfeita e exigirão novas reavaliações.
Assim sendo em uma indicação imperfeita cliente e homeopata são parcialmente culpados.

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§88 Se, durante estas informações espontâneas nada se mencionou em relação às várias partes ou funções do corpo ou acerca da disposição mentoemocional, o homeopata pergunta o que mais o cliente recorda que se relaciona a estas partes e funções, assim como às condições emocionais e mentais dele*, usando, porém, expressões gerais, a fim de que o informante seja obrigado a se expressar mais particularmente acerca de si.

* Por ex.:
Como estão as evacuações?
E a eliminação de urina?
Como é seu sono diurno e noturno?
Como esta seu estado de ânimo, seu humor, sua memória?
Como está o apetite e a sede?
Sente algum gosto na boca?
Que alimento e bebidas lhe apetecem mais?
Quais os que mais o repugnam?
Sente o sabor natural de cada um ou outro gosto estranho?
Como se sente após comer e beber?
Tem algo a dizer sobre a cabeça, membros ou abdômen?

O homeopata deve sempre buscar mais informações.
Deve tentar achar detalhes importantes na identificação dos sintomas que levarão ao remédio melhor indicado.

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§89 Primeiramente é ao cliente que se deve dar crédito no que diz respeito às suas sensações, exceto nas doenças simuladas.
Depois que ele, através deste depoimento espontâneo e meramente induzido, tiver fornecido ao homeopata as informações adequadas e razoavelmente completado o quadro do adoecimento, é necessário e permitido ao homeopata fazer perguntas mais precisas e mais particulares para complementar as informações que julgar insuficientes ou pouco esclarecedoras da forma como foi respondida*.

* Por ex.:
Qual a frequência de suas evacuações?
Qual a consistência exata das fezes?
A evacuação esbranquiçada era constituída de catarro ou fezes?
Sentia dores ao evacuar?
Exatamente em que local e de que tipo?
O que o paciente vomitou?
O mau gosto da boca é pútrido, amargo, ácido ou de que tipo?
Antes, durante ou depois de comer ou beber?
Em que período do dia era pior?
Com que gosto apresentam as eructações?
A urina fica turva somente após alguns minutos ou enquanto é expelida?
Qual sua cor imediatamente após a eliminação?
Qual a cor do sedimento?
Como o paciente se comporta ou se manifesta enquanto dorme?
Geme, queixa-se, fala ou grita?
Sobressalta-se?
Ronca ao inspirar ou expirar?
Dorme apenas de costas ou de que lado?
Cobre-se bem ou as cobertas incomodam?
Desperta com facilidade ou dorme profundamente?
Como se sente logo após despertar?
Quantas vezes ocorrem este ou aquele sintoma?
Qual é a causa de cada um?
Costuma ocorrer quando está sentado, em pé ou em movimento?
Somente quando está em jejum ou pela manhã, apenas à tarde, só após uma refeição ou quando?
Quando se manifesta calafrio?
Foi somente uma sensação de frio ou realmente estava frio ao mesmo tempo?
Em que partes?
Ou ele estava quente ao toque durante o calafrio?
Fio apenas uma sensação de frio, sem tremores?
Estava quente sem ter as faces ruborizadas?
Que partes do corpo estavam quentes ao tato?
Ou ele se queixava de calor sem estar quente ao tato?
Quanto tempo durou o calafrio?
E o calor?
Quando se apresentou a sede?
Durante o frio?
Durante o calor?
Antes?
Depois?
Qual a intensidade da sede e de quais bebidas?
Quando se apresenta a transpiração, no começo ou no fim do calor?
Ou quantas horas após esta sensação?
Durante o sono ou em vigília?
Qual a intensidade da transpiração?
Era quente ou fria?
Em que partes?
Com que cheiro?
De que se queixa ele?
Antes ou durante o calafrio?
E durante o período de calor?
E após este período?
E durante ou após a transpiração?
Como são (nas mulheres) o fluxo mensal ou outros fluxos?

São com estes detalhes que o homeopata faz a modalização dos sintomas e individualiza o remédio para o caso, pois para cada conjunto de sintomas existe um remédio mais específico, embora poça existir mais de um remédio se assemelhe aos sintomas do caso, sempre existirá um mais específico e indicado para o momento, e depois de tomado esse remédio pelo número de dias especificados, se necessário, escolhe-se outro remédio, a partir dos sintomas que restaram e dos novos que surgiram.

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§90 Depois que o homeopata tiver terminado tais anotações, ele deve escrever o que percebeu no cliente*, verificando, em relação ao que foi relatado, o que era peculiar ao mesmo no período de saúde.

* Por ex., como o doente se comporta durante a visita:
Mal humorado, birrento, apressado, choroso, ansioso, desesperado, confiante, tranquilo etc., se está sonolento ou alheio.
Se fala com voz rouca, muito baixo ou de maneira inconveniente ou de outra forma.
Qual a cor de sua face, dos seus olhos e de sua pele de modo geral?
Que grau de vivacidade e força existe em sua expressão e em seus olhos?
Qual o estado de sua língua, do seu hálito e de sua audição?
Se suas pupilas estão dilatadas ou contraídas?
Com que rapidez e que extensão se modificam no escuro ou no claro?
Como está seu pulso?
Qual é o estado do abdômen?
Que grau de umidade ou secura, calor ou frio tem sua pele ao tato, neste ou naquele local de um modo geral?
Se ele se deita com a cabeça inclinada para trás, com a boca inteiramente ou semiaberta, com os braços sobre a cabeça, de costas ou em que outra posição?
Que esforços faz para levantar-se e tudo aquilo que possa chamar a atenção do homeopata.
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Nesta fase da entrevista, após o depoimento espontâneo e o induzido, o homeopata faz as anotações do que ele percebe, do que ele vê, daquilo que o cliente passa sem palavras. A partir daí, é permitido fazer perguntas diretas para complementar o que foi dito, buscando as informações que venham a clarear e modalizar o caso.

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§91 As ocorrências e o estado de saúde do cliente, durante o período de uso do remédio, fornecem um quadro imperfeito do adoecimento.
Por outro lado, aqueles sintomas e distúrbios que ele sofria antes do uso do remédio ou depois de sua suspensão por vários dias, dão a verdadeira ideia da configuração original do adoecimento, sendo especialmente estes que o homeopata deve anotar. Ele pode, inclusive, deixá-lo alguns dias sem remédio nenhum ou, nesse ínterim, dar-lhe algo neutro, no caso de doença crônica. Sempre observando a possibilidade da pessoa correr riscos de complicações.
Quando, no retorno, o cliente ainda estiver tornando remédio até aquela data, deve adiar o exame mais preciso dos sinais mórbidos, a fim de compreender os sintomas duradouros, independentes, do antigo adoecimento na sua pureza, e poder traçar um quadro seguro para uma melhor indicação.

Os sintomas que aparecem durante o tratamento devem ser considerados com muita cautela, pois precisamos observar o conjunto dos sintomas antes e depois do remédio, além das circunstâncias que os fizeram aparecer.
Se necessário devemos deixar o cliente sem remédio por alguns dias, se ele estiver fora de riscos maiores, para que clareie os sintomas que são realmente seus e os que são produto de sua sensibilidade ao remédio. Principalmente nas doenças crônicas de pessoas muito sensíveis.
Caso o homeopata entenda que a pessoa corre risco de agravamentos maiores, inexistindo interferências com o remédio mais apropriado, e se o adoecimento estiver caminhando em sentido oposto às Leis de Hering, o caso deve ser reavaliado imediatamente e indicado outro remédio mais apropriado. E continuar acompanhando o caso, verificando se o que passou a ocorrer, após a indicação do novo remédio, está em conformidade com as leis de Hering. Pois esta é a condição segura de tratamento Hahnemanniano.

Trechos do livro:
O Organon da Arte de Curar de Samuel Hahnemann
Comentado à luz do Evangelho de Jesus e enfocando a Drenagem Miasmática.
A Homeopatia explicada e fácil de ser entendida!
De autoria de:
Gelson Garcia de Carvalho & Claudia Sonia Casal Garcia

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Entrevista para uma diagnose Homeopática.
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Entrevista para uma diagnose Homeopática segundo O Organon da Arte de Curar de Samuel Hahnemann

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